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sábado, 21 de maio de 2011

contra as nulidades

Pessoas que falam coisas estúpidas e/ou indelicadas com a intenção pobremente mal-disfarçada de chocar. Pessoas que ficam muito sinceramente chocadas com declarações bombásticas pré-fabricadas. Pessoas que tentam contemporizar. Pessoas que se esforçam para articular a opinião menos previsível sobre uma "polêmica" que, no entanto, já nasceu óbvia: pronto, está aí uma daquelas situações em que quase todas as posturas em jogo são igualmente irritantes.

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Entre a "liberdade de expressão" e a "censura", entre o "politicamente correto" e a imbecilidade sem freios, eu fico com a campanha por um pouco mais de silêncio. Muitas vezes, a melhor forma de expressar que algo é muito irrelevante ou babaca é simplesmente não comentar nada a respeito.

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O problema é que nem sempre conseguimos lembrar que, se algumas questões são incontornáveis, existem por outro lado muitos tópicos que poderiam ser simplesmente relegados ao limbo de sua própria irrelevância.

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Toda vez que vejo/ouço as pessoas falando em Rafinhas e Gentilis, Von Trier ou fim do mundo, eu lembro da frase maravilhosa de uma amiga, que carrego para a vida: "eu não quero que isso faça parte do meu imaginário".

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Este post, claro, é em parte uma contradição. Dizer que prefiro não dizer.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

narciso cansativo

Há muito tempo atrás, bem antigamente, havia uma coisa chamada decepção amorosa. Mas aí o tempo passou e hoje - nessa época estranha em que o mais tosco do outro está bem ao alcance, exposto em qualquer rede social - a gente morga tão rápido uma paquera que, na maior parte das vezes, o máximo que vai conseguir é um breve flerte decepcionante. Quase sempre só dura até o momento em que alguma exposição virtual (não-solicitada, é importante ressaltar) venha desfazer qualquer curiosidade. E não é nem que eu me ache grande coisa, muito pelo contrário. É só porque não dá mesmo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

eleições que não terminam

Não sei quais foram as intenções do(s) criador(es) deste site - e confesso que intenção, em se tratando de discursos midiáticos, é um aspecto que não costuma me interessar tanto -  mas eu não posso deixar de ver com simpatia o deboche presente nas imagens do Fashion Dilma. A ideia me parece uma maneira muito bem humorada de explorar o absurdo que foi, durante a campanha presidencial, as considerações cosméticas e fashionistas em torno da então candidata. A própria união via photoshop dessas duas instâncias - o mundo da moda e a presidenta eleita -  já serve pra assinalar o despropósito da aproximação.

Claro que alguém pode vir falar que não deixa de ser mais uma piadinha infame que se vale dos estereótipos da futilidade pra minar a imagem da mulher na política, mas seria estreito ver apenas dessa forma. E mesmo que tenham surgido como tentativa de ridicularizá-la, as montagens se prestam muito bem a um outro tipo de apropriação.

Não custa lembrar que a imagem mais importante da campanha - a versão estilizada da fotografia da "guerrilheira" - veio inicialmente vinculada a um ataque desastroso e acabou sendo ressignificada. Um pouco nesse sentido, acho que Fashion Dilma pode ser visto também como fina ironia.

domingo, 19 de setembro de 2010

cá entre nós

Depois do twitter e do mural do facebook, tenho a sensação de que, quando escrevo no blog, garanto um mínimo de reserva. Claro que a exposição existe de qualquer jeito, mas hoje parece um exagero que os blogs tenham sido tão criticados pela exibição desmedida e narcisista que causariam. É possível, então, que essa mudança de perspectiva seja a forma mais prática de lembrar que a privacidade, afinal, assim como quase tudo, é uma noção historicamente variável. Não demora muito, inventam outra coisa e aí a gente vai olhar para o twitter como um meio detentor de salvaguardas suficientes para conceder-nos a sensação de que a nossa intimidade está segura. Enfim, não penso como Saramago, que afirmou que estaríamos caminhando para a era do grunhido como forma de comunicação; a distância entre pensar, elaborar o pensamento, comunicá-lo e ser “ouvido” é que está diminuindo muito rápido.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

in touch

Reformulando o sentido de obra pessoal a partir das novas tecnologias:
acho que acabo de escrever o meu melhor scrap.